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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Vamos falar sobre Alimentação Natural (AN)?


Eu era contra a AN!
1.   Achava e agora tenho certeza que dá muito trabalho;
2.   Achava que a ração é mais prática e realmente é;
3.   Achava que a ração era mais completa e descobri que não é;
4.  Achava que a Nina ia ter problema para se adaptar porque é muito seletiva, ainda tenho alguns problemas, mas contornável;
5.   Eu era descrente que a AN pudesse ser tão completa quanto a ração.


 Mas, vida de mãe de cachorro é uma eterna contradição, eu resolvi testar. Por quê? Primeiro, a Nina, desde que chegou aos 45 dias de vida, tinha episódios de vômitos biliares. Se passasse de 12h sem comer, era mais certo que sol no sertão que a Nina ia vomitar bílis. Eu pedi, o veterinário fez exames e não deu nada anormal. Falei com outros veterinários, todos com a mesma opinião. Nina não tinha nada. Mas vomitava. Eu vivia dando petiscos, porque ela nem sempre queria comer e a pergunta mais frequente era: Nina comeu? Nina simplesmente TINHA que comer.

Nina tinha otites frequentes, desde sempre! Mudei de vários petshops achando que caía água no ouvido. Nina tinha malassézia que eu controlava, mas que não sumia. A minha sorte era que eu sempre pegava no início e não deixava espalhar.

Nina teve uma época de crises alérgicas diversas: espirros, coceiras, carocinhos, teve até rush cutâneo na pior crise. Estava controlado há dois anos. Mas o pelo dela sempre foi meio ralinho.
O cocô da Nina era ou muito mole, ou muito duro. Ela teve algumas inflamações na glândula adnal. E, sempre soltava um fedor de camarão pelo bumbum.

Nina tinha mensalmente, pelo menos, 1 crise de gases. Não era uma coisa simples, ela não conseguia se alimentar direito, a barriga distendia, ficava ofegante, incomodada, não havia posição para ela deitar. E, aí, tinha que tomar remédio para gases, andar para aumentar a motilidade do intestino e fazer bolsa de água morna para melhorar. Invariavelmente, isso acontecia no final da noite e a gente tinha que descer para levá-la para andar às 23h, 23:30, 00h. O risco na rua era menos pior do que o incômodo que ela estava sentindo.

E o que mais me incomodava era a seletividade, Nina me dava um trabalhão para comer! Eu passei por quase todas as rações super premium do mercado e algumas premium. Trocava de ração igual trocava de roupa e nada fazia ela comer bem. Eu tinha que dar bolinha por bolinha da ração na boca da Nina junto com frango ou carne. E o quanto ouvi: que bobagem, ela vai comer quando tiver fome! Eu tentei, juro! Ela passou 62h sem comer, chamei o veterinário, avaliou ela, fez exames e nada foi diagnosticado, além dos vômitos. Foi dar na mão com o frango e ela comeu. Em outro momento, passou 70h sem comer, recusando tudo, vomitando. Chamei novamente o veterinário e nada!

Aí, ganhei uma consulta com a veterinária especializada em nutrição (no caso da Nina, foi a Laila) e resolvi tentar uma vez que tivemos hóspedes que faziam AN. Ela comeu por 1 semana e ela mesma quis voltar para a ração, eu deixei. Mas os vômitos voltaram, o porre para comer também. Eu já tinha me conformado. Mas pesquisei, avaliei quem era prol, quem era contra, estudei o assunto e passei a desejar que ela comesse AN.

Mas, durante a castração, a Nina recusou a ração e a única coisa que ela aceitava era uma sopa batida no liquidificador. Opa! Minha oportunidade! Inseri a dieta que Laila tinha passado para a Nina e fomos nos adaptando ao longo desses últimos 6 meses. Descobri que a Nina tem metabolismo rápido e que, comendo carboidratos mais simples, ela faz a digestão mais rápido e precisa comer a cada 12h, se não, vomita bílis. Com carboidratos complexos, a digestão dela é mais lenta e ela não vomita, mesmo passando as 12h.

Descobri que o cachorro passa por um período de desintoxicação, o corpo começa a eliminar o que foi acumulado durante o período que comeu ração. No caso da Nina, houve uma queda de pelos que ela só tinha tido quando trocou a pelagem de filhote para adulto, houve uma otite média que ela nunca tinha tido e houve ressecamento no olho. Corremos para Laila que orientou o que fazer nessas situações, retiramos alguns alimentos, inserimos outros e tudo voltou ao normal. 

Após 6 meses de AN, vi uma melhora significativa na Nina: a pele dela nunca mais apresentou uns caroços parecendo espinhas, o pelo dela aumentou de quantidade significativamente, não teve mais nenhum episódio de malassézia, não teve mais crises de espirros quando passa pelo jardim do prédio, só teve um episódio de otite, as crises de gases ainda acontecem com pouca frequência e apenas a utilização do remédio resolve. E eu consigo identificar alimentos que podem aumentar a produção de gases nela. As crises de vômito biliar ainda acontecem, mas deixaram de ser semanais para serem esporádicas.


Ela continua seletiva, mas eu consigo contornar a seletividade com um cardápio diversificado para ela, então, vou mesclando diversas opções de proteína, carboidrato, vísceras e legumes. Nos últimos 6 meses, o tempo máximo que ela passou sem querer comer foi 16h e ela mesma veio me pedir comida.

Tem dias que ela está mais chata para comer, quer que eu comece a dar na boca, mas logo que engrena, ela come sozinha. Na maioria dos dias, ela come só!

Enjoou algumas proteínas e eu pude trocar sem prejuízos!

Mas a confirmação que estamos no caminho certo foram os exames dela. Fiz com o veterinário que acompanha ela desde o primeiro dia com a gente, Dr. Marcelo elogiou a pele, os ouvidos, os olhos, os dentes, disse que no exame clínico não encontrou, na apalpação, nada que a fizesse sentir dor, que não tinha gases, a glândula adnal estava saudável. E fez o hemograma e o perfil bioquímico dela, o resultado foi: excelente! Nina está com todas as taxas normais e o colesterol bom dela está acima do que é o normal. As funções hepáticas e renais estão excelentes e não houve perda de massa muscular!

Como está o coração da mãe? Feliz!!!!!!!

Fizemos a escolha certa! Continuaremos com a AN e monitorando a saúde da baixinha. Eu indico a AN, mas fazendo com auxílio de veterinário especializado e acompanhando a saúde dos pequenos! Outra dica é: leia! Leia tudo relacionado ao assunto! Faça cursos, converse com quem é prol e quem é contra, coloque as opiniões e seus estudos na balança, avalie o que é melhor para você e para o seu filhote e tome sua decisão de forma estruturada. E se perceber que não foi a melhor decisão, tenha humildade e volte ao anterior, faça o que é melhor para a saúde do seu filhote.

Mas, Grazi, você disse que dá trabalho! Dá mesmo, é preciso dedicação e força de vontade para continuar. Mas, graças a Deus, existem opções no mercado de fornecimento de marmita pet! Eu já usei a de Laila que ela faz de acordo com a dieta que ela passou para a Nina e que traz em casa!

Mas existem outros veterinários e outras empresas que já ouvi falar muito bem. Alguns dos meus hóspedes usam e estão muito bem também! Vale a pena pesquisar, experimentar e encontrar quem melhor vai te atender! Não vou indicar ninguém porque não estou fazendo propaganda!

Não precisa de muito espaço no congelador? Não! Você pode fazer pedidos semanais, quinzenais ou mensais! Eu optei por comprar o freezer porque meu congelador já estava pequeno para a gente, então a comida da Nina só nos deu um empurrão.

Ah! Dá trabalho descongelar? Não, basta tirar do freezer, colocar na geladeira por 12h e colocar no prato.

E na hora de viajar? Você coloca a AN numa bolsa térmica com gelo e leva. Só tem que ter um frigobar ou geladeira no local que você se hospedar para manter a AN.

E o cocô? Fica podre, né? Não! O cocô não tem cheiro, reduz a quantidade e fica firme.

Por último, pensa no legal que é experimentar novos sabores, novas texturas, novos cheiros, isso não faz parte também de um enriquecimento ambiental? Vamos estimular o paladar, o tato e o olfato dos nossos bichinhos de estimação, galera!

                                                                                Abraços de Grazi e Lambeijos muito saudáveis da Nina

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